Começou a trabalhar como jornalista na Agência Americana de Notícias, depois na revista "Civilização", e no "Século", onde entra sob a indicação de Ferreira de Castro e, pouco tempo depois começa a trabalhar na direcção do modas e bordados, uma revista típica de donas de casa, durante mais de 20 anos. No "Modas e Bordados" tentou dar um conteúdo mais significativo à revista.
O jornal O Século tornou-se uma plataforma para a realização de determinadas actividades que expressam a sua personalidade dinâmica e afirmativa, nomeadamente a organização de conferências, concertos, debates e exposições. As exposições tinham como tema a mulher portuguesa, sendo as mais conhecidas a exposição sobre a apresentação dos teares do Minho, as mesas de trabalho de mulheres como a Marquesa de Alorna e Carolina Michaelis e a exposição de tapetes de Arraiolos feitas pelas reclusas do estabelecimento das Mónicas, que possibilitou a estas terem algumas horas de liberdade para visitarem os seus trabalhos.
Em 1921 casa-se pela segunda vez com o jornalista monárquico Alfredo da Cunha Lamas, de quem tem uma filha. Divorciou-se quinze anos mais tarde.
Sob o pseudónimo de Rosa Silvestre, publicou várias obras para crianças, nomeadamente As Aventuras dos Cinco Irmãozinhos (1931); A Montanha Maravilhosa (1933); Os Brincos de Cerejas (1935) e Vale dos Encantos (1942).
Em 1945 torna-se presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, associação fundada durante a 1ª República e alvo de repressão por parte do regime salazarista, de tal modo que foi encerrada, mediante um mandato do Governo Civil de Lisboa.
O seu cargo permitiu deslocar-se por todo o país e tomar conhecimento da realidade da condição feminina. Deste contacto, surgiu a publicação do livro "As Mulheres do meu País", uma obra de 3 volumes, entre 1947 e 1950. Mais tarde também publicou outros livros relacionados com o tema da mulher: A Mulher não Mundo (1952) e o Mundo dos Deuses e dos Heróis – Mitologia Geral (1959-1961).
As suas opções pessoais e políticas conduziram a várias detenções pela PIDE-DGS. A primeira decorreu do apoio à candidatura do General Norton de Matos, sob a acusação de propagação de notícias falsas e reivindicação da libertação dos presos políticos. Estas detenções afectaram a sua saúde e conduziram à determinação da sua condição de exilada política.
Em 1953 foi eleita como membro do Conselho Mundial da Paz. Na qualidade de membro do Conselho Mundial da Paz, exila-se em Paris, entre Junho de 1962 e Dezembro de 1969. Além disso, desloca-se a vários países nomeadamente a Itália, Bélgica e Reino Unido. Também participou em Reuniões Internacionais do Conselho Mundial da Paz em Moscovo, Budapeste e Siri- Lanka e Viena de Áustria.
Apesar dos seus oitenta anos, vive intensamente a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Em 25 de Abril de 1980 recebe nas mãos do então Presidente da República General António Ramalho Eanes a Ordem da Liberdade.
Faleceu aos 90 anos, em Lisboa, a 6 de Dezembro de 1983.
Maria Lamas é uma das grandes referências para a construção de uma visão nova e abrangente do papel da mulher e da democracia.